segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Eu


Aprendi que amores eternos podem acabar hoje, que grandes amigos podem tornar-se grandes inimigos, que o Amor, sozinho, não tem a vitalidade que imaginei, que ouvir os outros pode ser o melhor remédio e o pior veneno, que nunca conhecemos uma pessoa de verdade, afinal gastamos uma vida inteira para nos conhecermos a nós mesmos, que confiança não significa luxo, mas sim sobrevivência, que os poucos amigos que te apoiam na queda, são muito mais fortes do que os muitos que te empurram, que o “nunca mais” nunca se cumpre, que o "para sempre" sempre acaba, que vou sempre surpreender-me, seja com os outros ou comigo, que vou cair e levantar-me milhões de vezes... e ainda não vou ter aprendido tudo!
Aprendi que amar não significa transferir aos outros a responsabilidade de me fazer feliz, cabe-me a tarefa de apostar nas minhas capacidades e realizar os meus sonhos... Aprendi que as pessoas mais queridas podem às vezes ferir-me muito e talvez não me amem tanto quanto eu gostaria, o que não significa que não me amem muito, talvez até seja o máximo que conseguem... isso e o mais importante. Aprendi que o tempo é muito importante e não volta atrás, por isso, não vale a pena resgatar o passado, o que vale a pena é construir o futuro sem deixar de viver o presente! Aprendi que o valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem, por isso existem momentos inesquecíveis... Coisas inexplicáveis... Pessoas incomparáveis! Todos os momentos vividos são únicos...são somente meus... Ninguém os poderá apagar. Vão existir num momento que se chamará SEMPRE... Ninguém os poderá partilhar... somente quem os vive e quem um dia os sentiu... Momentos meus, teus, nossos. Momentos inesquecíveis! Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre! Não me mostrem o que esperam de mim, porque vou seguir o meu coração... não me façam ser quem não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou igual a mim! Não sei amar pela metade, não sei viver de mentira, não sei voar de pés no chão! Sou sempre eu mesmo, mas com certeza não serei o mesmo para sempre!

domingo, 17 de julho de 2011

Inevitável dor do amor

(O Amor) É inevitável, faz parte da combustão da natureza, é força, mar, elemento, água, fogo, destruição, é atmosfera, respira-se, quando se morre abandona-se, o amor deixa, fica isolado, é um elemento, come-se, bebe-se, sustenta pão, pão diário para rico e pobre, pão que ilumina o forno do amassador, aparece nas condições mais estranhas, bicho que nasce, copula dentro de si mesmo, paira, espermatozóide e óvulo, as duas coisas ao mesmo tempo, amor é assim outro elemento fundamental da natureza, as pessoas vivem tanto com o amor, ou tão alheias do amor, que nem notam, raro percebem que o amor existe, raro percebem que respiram, que a água está, é indispensável, ninguém pode viver alheio aos elementos, ao amor

sábado, 16 de julho de 2011

Eu ontem vi-te

...Eu ontem vi-te...
Andava a luz
Do teu olhar,
Que me seduz
A divagar
Em torno a mim.

E então pedi-te,
Não que me olhasses,
Mas que afastasses,
Um poucochinho,
Do meu caminho,
Um tal fulgor
De medo amor,
Que me cegasse,
Me deslumbrasse
E me deixasse
Amar assim.

Obrigado

Por tudo o que me deste: Inquietação, cuidado,
Um pouco de ternura? É certo, mas tão pouco!
Noites de insónia, pelas ruas, como um louco...
Obrigado, obrigado!

Por aquela tão doce e tão breve ilusão.
Embora nunca mais, depois que a vi desfeita,
Eu volte a ser quem fui, sem ironia: aceita
A minha gratidão!

Que bem me faz, agora, o mal que me fizeste!
Mais forte, mais sereno, e livre, e descuidado...
Sem ironia, amor: Obrigado, obrigado
Por tudo o que me deste!

terça-feira, 12 de julho de 2011

Nas tuas mãos...

Antes de amar-te, amor, nada era meu
Vacilei pelas ruas e pelas as coisas,
Nada contava nem tinha nome
O mundo era do ar que esperava.
E conheci casas cinzentas,
Túneis habitados pela lua,
Lugares cruéis que se despediam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado e desprotegido,
Tudo era inalienavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e a tua pobreza
Elimiram a tristeza fria de um outro dia
De dádivas puras no meu coração
Mais quente que o calor do verão,
As tuas mãos grossas e fortes
Vibravam que nem cortes
Na pele veludo encarnado
De amor sincero carregado
Amaldiçoado e rasgado mas teu,
E eu vou andar e nunca vou correr
Só pra não te perder

Amor e mar

Contar-te longamente as perigosas
coisas do mar. Contar-te o amor ardente
e as ilhas que só há no verbo amar.
Contar-te longamente longamente.

Amor ardente. Amor ardente. E mar.
Contar-te longamente as misteriosas
maravilhas do verbo navegar.
E mar. Amar: as coisas perigosas.

Contar-te longamente que já foi
num tempo doce coisa amar. E mar.
Contar-te longamente como doi

desembarcar nas ilhas misteriosas.
Contar-te o mar ardente e o verbo amar.
E longamente as coisas perigosas.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Amor sentido

De que nos vale esta pureza,
Sem ler fica-se pederneira,
Agita-se a solidão cá no fundo,
Fica-se sentado à soleira,
A ouvir os ruídos do mundo,
E a entendê-los à nossa maneira.

E do resto entender mal,
Soletrar assinar de cruz,
Não ver os vultos furtivos,
Que nos tramam por trás da luz

Carregar a superstição,
De ser pequeno ser ninguém
Mas não quebrar a tradição
Que dos nossos avós já vem.