sábado, 16 de julho de 2011

Obrigado

Por tudo o que me deste: Inquietação, cuidado,
Um pouco de ternura? É certo, mas tão pouco!
Noites de insónia, pelas ruas, como um louco...
Obrigado, obrigado!

Por aquela tão doce e tão breve ilusão.
Embora nunca mais, depois que a vi desfeita,
Eu volte a ser quem fui, sem ironia: aceita
A minha gratidão!

Que bem me faz, agora, o mal que me fizeste!
Mais forte, mais sereno, e livre, e descuidado...
Sem ironia, amor: Obrigado, obrigado
Por tudo o que me deste!

terça-feira, 12 de julho de 2011

Nas tuas mãos...

Antes de amar-te, amor, nada era meu
Vacilei pelas ruas e pelas as coisas,
Nada contava nem tinha nome
O mundo era do ar que esperava.
E conheci casas cinzentas,
Túneis habitados pela lua,
Lugares cruéis que se despediam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado e desprotegido,
Tudo era inalienavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e a tua pobreza
Elimiram a tristeza fria de um outro dia
De dádivas puras no meu coração
Mais quente que o calor do verão,
As tuas mãos grossas e fortes
Vibravam que nem cortes
Na pele veludo encarnado
De amor sincero carregado
Amaldiçoado e rasgado mas teu,
E eu vou andar e nunca vou correr
Só pra não te perder

Amor e mar

Contar-te longamente as perigosas
coisas do mar. Contar-te o amor ardente
e as ilhas que só há no verbo amar.
Contar-te longamente longamente.

Amor ardente. Amor ardente. E mar.
Contar-te longamente as misteriosas
maravilhas do verbo navegar.
E mar. Amar: as coisas perigosas.

Contar-te longamente que já foi
num tempo doce coisa amar. E mar.
Contar-te longamente como doi

desembarcar nas ilhas misteriosas.
Contar-te o mar ardente e o verbo amar.
E longamente as coisas perigosas.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Amor sentido

De que nos vale esta pureza,
Sem ler fica-se pederneira,
Agita-se a solidão cá no fundo,
Fica-se sentado à soleira,
A ouvir os ruídos do mundo,
E a entendê-los à nossa maneira.

E do resto entender mal,
Soletrar assinar de cruz,
Não ver os vultos furtivos,
Que nos tramam por trás da luz

Carregar a superstição,
De ser pequeno ser ninguém
Mas não quebrar a tradição
Que dos nossos avós já vem.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Amor igual

Não consigo compreender as emoções,
Nem as minhas nem das multidões
Eu paro e ponho-me a pensar
Nós nunca somos iguais ...

Quantas tardes, noites e serões,
Tantos risos, histórias e paixões
Que acabam nos dias mais banais
Nós nunca somos iguais ...

Um jurou eterno amor para depois deixar
O que tanto desejou
Outro chorou ao sentir a dor,
Para mais tarde festejar
Que o desejo terminou
Não vou pensar
Que nao sabemos demais
Nem vou chorar
Porque nós nunca somos iguais ...

Uns que evitam sempre tentações,
Outros pedem sempre mil perdões,
Erramos com a certeza de acertar
Nós nunca somos iguais ...

Um jurou eterno amor para depois deixar
O que tanto desejou
Outro chorou ao sentir a dor,
Para mais tarde festejar
Que o desejo terminou
Não vou pensar
Que nao sabemos demais
Nem vou jurar que os loucos não são normais
Nem vou pensar que nós sabemos a mais
Nem vou chorar
Porque nós nunca somos iguais ...

http://www.vagalume.com.br/donna-maria/nos-nunca-somos-iguais.html#ixzz1RBEpH9am

terça-feira, 28 de junho de 2011

Quero ...

Quero mais de ti, quero mais de mim
Quero mais de toda a gente, que todos juntos façam
frente
Que os mudos gritem alto que todos façam algo
Que torne o coração mais quente
Convençam o vizinho que ninguém ganha sozinho
Que a batalha é muito dura e será dente por dente.
Comer comida "light" para que a roupa nos assente
O corpo está saudável mas a mente está demente.
Que consciência é esta que finge que não vê.
A fome é bem real e não é só na TV
A esperança nunca morre a não ser para quem não come
A guerra não perturba a não ser a quem não dorme.

Amor, porque não ?

Porque não esquecer o coração?
Porque não pecar sem ter perdão
Perder toda a razão porque não?
Porque não um filme sem guião

Porque não um tema sem refrão
Cantar esta canção porque não
Porque não pular com a mutidão
Porque não sorrir da solidão
Gritar na escuridão porque não?
Por aqui, por aí, porque sim
Sem ter aprovação
Sou o normal e sou a loucura
Não me peçam para ter razão
Porque não um mundo e uma nação
Porque não sem bomba no Islão
Nem fome no Sudão porque não?

Guardar a confissão
Porque não umbigo sem cordão
E Eva ser Adão porque não?